Como não tenho nada que mereça destacar, permito-me transcrever alguns exertos de uma crónica de Joel Santos, publicada na revista Vida e Viagens que me pareceu muito interessante.
" Existem cerca de 7 mil milhões de pessoas no planeta, o que perfaz sensìvelmente 14 mil milhões de mãos, cada uma delas com uma história gravada na pele,única como as linhas que sulcam a sua superfície.A estas juntam-se as mãos que,antes das que nos são contemporâneas,talharam muito do que nos rodeia,desde as profundezas dos oceanos até aos confins da terra e do ar.A par da inteligência e da capacidade de rir, as mãos,com a inestimável presença dos polegares oponíveis, dotaram-nos de uma capacidade inusitada de criar soluções para quase todos os problemas.A necessidade aguça o engenho,é costume afirmar-se,mas são as mãos que o materializam.Assim,movidas pelo sonho,permitem-nos acreditar que, com uma pitada de talento e persistência,não existem limites àquilo que podemos alcançar.E com essa crença escreveu-se E=mc2,tocou-se Bach,construiu-se a Grande Muralha ou fez-se nascer uma criança.As mãos são um substantivo que se transforma num verbo universal quando lhes é dada a oportunidade de gesticular - imploram,ajudam,magoam,ordenam,travam,indicam,destroem,constroem,hesitam,asseveram,amam,moldam,entregam,roubam,atiram,tocam,escrevem ou fotografam.E, independentemente do nosso credo,as mãos reforçam e comunicam em uníssono as nossas preces.Olhando para as mãos,devemos-lhe espanto,pois como é possível que da sua modesta dimensão e aparente simplicidade emane tanta relevância?As mãos tudo fazem,tudo sabem e tudo dizem.Basta senti-las com o olhar."
Sem comentários:
Enviar um comentário